Uma mega-operação da Polícia Judiciária (PJ) está a marcar a atualidade nacional esta segunda-feira e já está a provocar fortes repercussões no futebol português. Em causa está uma investigação de grande dimensão que envolve elementos ligados às claques do FC Porto e do Sporting, no âmbito de um processo relacionado com extremismo, discriminação e incitamento ao ódio contra imigrantes.
A ação policial arrancou por volta das 7h00 da manhã e decorre em vários pontos do país, estando a ser conduzida pela Unidade Nacional de Contraterrorismo da Polícia Judiciária. Segundo informações entretanto reveladas, estão em curso cerca de meia centena de buscas domiciliárias e não domiciliárias, tendo já sido efetuadas várias detenções.
Grupo extremista 1143 no centro da investigação
O principal alvo da operação é o grupo extremista 1143, uma organização associada a ideologias neonazis e de extrema-direita, que tem vindo a ser acompanhada pelas autoridades portuguesas nos últimos anos. A investigação aponta para a prática reiterada de crimes de discriminação, incitamento ao ódio e violência verbal contra comunidades imigrantes, através de ações organizadas, comunicações online e ligações a contextos de violência organizada.
Este grupo é conhecido por estar ligado a Mário Machado, figura central do movimento neonazi em Portugal, que se encontra atualmente a cumprir pena de prisão. Apesar do seu encarceramento, as autoridades acreditam que a estrutura do grupo continuou ativa, com uma hierarquia definida e elementos operacionais a atuar no terreno.
Claques de futebol sob escrutínio das autoridades
Um dos aspetos mais sensíveis e mediáticos desta operação prende-se com a ligação de alguns dos suspeitos a claques organizadas de futebol, nomeadamente aos Super Dragões, do FC Porto, e à Juventude Leonina, do Sporting.
De acordo com informações apuradas, entre os visados encontra-se Hugo Carneiro, conhecido no meio ultra por “Polaco”, apontado como número dois dos Super Dragões. A sua alegada ligação ao grupo extremista 1143 colocou de imediato o nome do FC Porto no centro das atenções, ainda que o clube não seja, para já, alvo direto da investigação.
No caso do Sporting, a PJ terá igualmente identificado elementos associados à Juventude Leonina, claque historicamente marcada por vários episódios de violência e processos judiciais ao longo das últimas décadas.
As autoridades acreditam que o ambiente das claques terá servido, em alguns casos, como espaço de recrutamento, mobilização e normalização de discursos radicais, algo que está agora a ser analisado em detalhe no âmbito do inquérito.
34 arguidos constituídos no processo
No total, o processo conta já com 34 arguidos, número que poderá ainda aumentar à medida que a investigação avance. Os suspeitos estão a ser investigados por vários crimes, entre os quais discriminação racial, incitamento ao ódio, associação criminosa e eventuais ligações a atividades extremistas organizadas.
Os detidos estão a ser transportados para Lisboa, onde ficarão à disposição da Polícia Judiciária e do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP). Nas próximas horas deverão ser presentes a tribunal para primeiro interrogatório judicial, podendo vir a ser aplicadas medidas de coação que vão desde o termo de identidade e residência até prisão preventiva, consoante a gravidade dos indícios recolhidos.
Operação preparada ao longo de vários meses
Segundo fontes ligadas à investigação, esta mega-operação não surgiu de forma repentina. Pelo contrário, terá sido preparada ao longo de vários meses, com recolha de prova digital, vigilância discreta, análise de comunicações e cruzamento de informações com outros processos em curso.
A PJ terá acompanhado de perto a atividade online dos suspeitos, nomeadamente em redes sociais, fóruns privados e plataformas de mensagens, onde alegadamente eram partilhados conteúdos de teor racista, xenófobo e de incitamento à violência.
Futebol novamente associado a polémica extradesportiva
Este caso volta a colocar o futebol português numa posição delicada, ao associar claques organizadas a fenómenos de radicalização política e ideológica. Embora os clubes não sejam formalmente responsabilizados pelos atos individuais dos seus adeptos, a presença recorrente de elementos de claques em investigações criminais levanta questões sobre o controlo, a supervisão e a relação institucional entre clubes e grupos organizados de adeptos.
FC Porto e Sporting ainda não reagiram oficialmente à operação, mas é expectável que, nas próximas horas, possam surgir comunicados a demarcar-se de qualquer ligação a comportamentos extremistas, numa tentativa de proteger a imagem institucional.
Combate ao extremismo é prioridade das autoridades
A Polícia Judiciária tem reforçado nos últimos anos o combate a redes extremistas e discursos de ódio, sobretudo num contexto europeu marcado pelo crescimento de movimentos radicais. Esta operação surge como uma das mais abrangentes alguma vez realizadas em Portugal neste domínio, demonstrando a prioridade atribuída ao fenómeno pelas autoridades.
O processo está longe de estar encerrado e novas informações poderão surgir nos próximos dias, à medida que os interrogatórios avancem e que o material apreendido durante as buscas seja analisado.
Para já, uma coisa é certa: esta mega-operação está a abanar o futebol português fora das quatro linhas e promete continuar a dar que falar.






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