José Mourinho voltou a ser protagonista depois da eliminação do Benfica na Taça de Portugal, desta vez com declarações que estão a gerar grande polémica entre adeptos, comentadores e rivais. Após a derrota por 1-0 frente ao FC Porto, nos quartos de final da prova, no Estádio do Dragão, o treinador encarnado fez uma análise minuciosa do jogo e deixou um recado claro: na sua visão, o Benfica foi a melhor equipa em campo, mas pagou caro a falta de eficácia e um erro nas bolas paradas.
Na conferência de imprensa após o apito final, Mourinho não escondeu a frustração e foi direto ao ponto:
«As justificações são óbvias: a melhor equipa perdeu, mas a melhor equipa não fez golos e sofreu um.»
Uma frase que rapidamente se espalhou pelas redes sociais e que voltou a dividir opiniões. Para uns, trata-se de uma leitura objetiva de um jogo em que o Benfica teve mais bola e mais controlo. Para outros, é mais uma tentativa de justificar uma eliminação num clássico, onde o que conta é o resultado.
“Controlámos o jogo a bel-prazer”
O técnico português fez questão de sublinhar o domínio da sua equipa ao longo da partida, mesmo reconhecendo a intensidade do adversário:
«Controlámos o jogo a bel-prazer, contra uma equipa com muita intensidade a defender e a atacar, uma equipa de atletas com DNA de verdadeiros atletas. Gente que corre e pressiona muito, que recupera bola e aprofunda muito, mas o Benfica dominou de início ao fim.»
Segundo Mourinho, o FC Porto apostou numa estratégia de contenção, aceitando passar largos períodos a defender no seu meio-campo. O treinador encarnado considerou que a postura dos dragões, mesmo jogando em casa, demonstra o respeito que tiveram pelo Benfica e reforça a ideia de que a sua equipa foi superior no controlo do jogo.
Ainda assim, o treinador reconheceu que faltaram oportunidades claras e eficácia na finalização, algo que acabou por ser decisivo num encontro equilibrado e decidido num único lance.
O golo sofrido e as ausências decisivas
Mourinho apontou o momento-chave do jogo: a bola parada que resultou no golo do FC Porto. E explicou em detalhe as dificuldades do Benfica nesse tipo de lance, associando-as às várias ausências no plantel:
«Sofremos o golo de bola parada, onde, em função de muitas ausências, os jogadores que estavam em marcação individual eram Barreiro, Dahl e Dedic a marcar Bednarek, Froholdt, Kiwior e companhia.»
O treinador revelou ainda que a equipa tinha trabalhado exaustivamente esse aspeto do jogo durante a semana:
«Trabalhámos muito as bolas paradas defensivas porque sabíamos que não tínhamos Otamendi e Enzo (Barrenechea) – que estava no banco mas era um risco demasiado grande.»
Para Mourinho, as limitações físicas e as opções condicionadas acabaram por pesar num momento decisivo. Apesar disso, voltou a insistir que o Benfica foi a equipa mais dominante:
«Controlámos o jogo a bel-prazer, sem muitas oportunidades claras, mas com um domínio que me pareceu claro contra uma equipa que está com moral em alta.»
A crítica velada ao ambiente no Dragão
Um dos momentos mais comentados da conferência de imprensa foi quando Mourinho se referiu à postura dos adeptos portistas durante o encontro:
«Os seus adeptos aceitam que a sua equipa esteja 45 minutos a defender no seu meio-campo em casa.»
A declaração foi interpretada como uma crítica indireta à forma como o FC Porto abordou o jogo e também como uma tentativa de reforçar a ideia de que o Benfica teve a iniciativa durante grande parte da partida. Mourinho acrescentou ainda que a oportunidade falhada nos instantes finais do jogo “é elucidativa” daquilo que estava a dizer, sugerindo que a sua equipa esteve mais perto do golo do empate do que o adversário de aumentar a vantagem.
“Hoje estou chateado pelos jogadores”
Ao contrário do que aconteceu noutros jogos recentes, o treinador deixou uma mensagem de apoio ao grupo:
«Se, no jogo passado com o SC Braga, estava chateado com os jogadores, hoje estou chateado pelos jogadores porque fizemos um bom jogo.»
A frase mostra um Mourinho protetor do plantel, defendendo a atitude e a entrega dos seus atletas, mesmo perante uma eliminação que pesa num clube com a dimensão e exigência do Benfica.
Temporada em risco? A resposta de Mourinho
Questionado sobre se esta derrota poderá comprometer a época encarnada, o técnico recordou o contexto da sua chegada à Luz:
«Fui contratado para trazer títulos para o Benfica numa situação difícil, que começou mal.»
A declaração reforça a ideia de que Mourinho vê o seu projeto como um processo em construção, apesar da pressão constante por resultados imediatos. O treinador deixou implícito que ainda há objetivos em jogo e que a equipa continuará a lutar por eles.
“Eu não sou importante, o Benfica é”
Outro momento marcante surgiu quando foi questionado sobre a relação com os adeptos. Mourinho recusou colocar-se no centro da narrativa:
«Porque me está a fazer essa pergunta diretamente? Acha que sou importante? Não sou importante, o Benfica é importante, eu não.»
Uma resposta que foi vista por alguns como um gesto de humildade e por outros como uma forma de desviar atenções do treinador para a instituição. Em qualquer dos casos, as palavras reforçam a imagem de um Mourinho que procura proteger o grupo e recentrar o discurso no clube.
Preocupação com Richard Ríos
No final da conferência, o técnico confirmou uma má notícia para o plantel:
«É uma lesão importante.»
referindo-se ao problema físico de Richard Ríos, que poderá ser uma baixa significativa para os próximos compromissos da equipa.
Um Benfica entre a frustração e a confiança
As declarações de José Mourinho após o clássico voltaram a agitar o universo benfiquista. Entre quem concorda com a análise de que o Benfica foi superior e quem considera que no futebol só conta o marcador, a eliminação na Taça de Portugal continua a deixar marcas.
Uma coisa é certa: quando Mourinho fala, o eco faz-se sentir. E desta vez, ao afirmar que “a melhor equipa perdeu”, o treinador lançou mais um recado que promete alimentar debates, polémicas e expectativas sobre o que ainda poderá acontecer na temporada encarnada.






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