O Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol colocou um ponto final numa das mais acesas polémicas recentes do futebol nacional, ao arquivar os processos relacionados com as queixas do FC Porto e do Benfica sobre a arbitragem, decisões que surgem na sequência de jogos marcados por forte contestação e troca de acusações públicas.
No centro da controvérsia esteve o árbitro Fábio Veríssimo, visado diretamente pelo FC Porto após o encontro frente ao Arouca, disputado há mais de um mês. Os dragões alegavam que o juiz teria proferido ameaças no final dessa partida, considerando que esse comportamento poderia ter influenciado atuações arbitrais posteriores, nomeadamente em jogos de elevada rivalidade, como os que envolvem o Benfica.
Apesar da gravidade das acusações, o Conselho de Disciplina decidiu encerrar o inquérito sem aplicar qualquer sanção, entendendo não existirem fundamentos suficientes para dar seguimento ao processo. A decisão representa um duro revés para a estrutura azul e branca, que vinha exigindo esclarecimentos e consequências exemplares, considerando o tema da arbitragem como um dos principais fatores de instabilidade competitiva na presente temporada.
FC Porto sem razão disciplinar reconhecida
Recorde-se que, na altura, o FC Porto manifestou-se de forma contundente, apontando o dedo a alegadas atitudes impróprias do árbitro Fábio Veríssimo, que, no entender dos responsáveis portistas, ultrapassariam os limites aceitáveis de atuação e comunicação de um juiz profissional. A SAD azul e branca defendia que tais comportamentos deveriam ser investigados a fundo, para salvaguarda da credibilidade da arbitragem portuguesa.
No entanto, após análise dos factos, depoimentos e elementos recolhidos, o Conselho de Disciplina optou por arquivar o processo, não reconhecendo impacto disciplinar nem ligação direta entre as alegadas ameaças e qualquer prejuízo desportivo subsequente.
Rui Costa e José Mourinho também escapam a castigos
A decisão do CD não se ficou pelo caso do FC Porto. Também os processos instaurados a Rui Costa e a José Mourinho, na sequência das declarações feitas após o empate entre Sporting de Braga e Benfica, na Pedreira, foram igualmente arquivados.
Após esse encontro, marcado por vários lances polémicos, o presidente do Benfica foi particularmente crítico, apontando o dedo ao VAR Tiago Martins, recordando decisões controversas de jogos anteriores que, na sua opinião, teriam condicionado resultados e prejudicado o clube da Luz. Rui Costa falou num padrão recorrente de erros, alimentando o debate público sobre a atuação do videoárbitro.
Já José Mourinho, apesar de ter afirmado que, no geral, até “gostou da arbitragem”, não deixou de reconhecer que erros decisivos tiveram influência direta no resultado final, sublinhando o impacto que determinadas decisões podem ter numa competição tão equilibrada como a Liga portuguesa.
Conselho de Disciplina fecha dossiês e arrefece clima
Com o arquivamento destes processos, o Conselho de Disciplina pretende encerrar o ciclo de polémicas disciplinares relacionadas com estas queixas, deixando claro que, do ponto de vista regulamentar, não haverá consequências para clubes, dirigentes ou treinadores envolvidos nas críticas à arbitragem.
Esta decisão surge numa fase em que o clima no futebol português tem sido marcado por forte tensão entre os chamados “três grandes”, com comunicados oficiais, declarações inflamadas e constantes suspeitas lançadas sobre o setor da arbitragem.
Apesar do fecho dos processos, o debate está longe de desaparecer. Entre adeptos e comentadores, mantém-se a discussão sobre a qualidade das arbitragens, o papel do VAR e a necessidade de maior transparência nas decisões tomadas dentro e fora das quatro linhas.
Polémica termina… mas desconfiança mantém-se
Na prática, FC Porto e Benfica ficam sem qualquer vitória institucional nesta batalha, vendo as suas queixas e críticas sem efeitos disciplinares. Ainda assim, o tema promete continuar a marcar a atualidade desportiva, sobretudo em jogos de elevada pressão competitiva.
Com os dossiês agora encerrados, o foco regressa ao futebol jogado — mas a arbitragem, como tantas vezes acontece, continuará sob escrutínio apertado até ao final da época.






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