O clássico entre FC Porto e Benfica, válido pelos quartos de final da Taça de Portugal e vencido pelos dragões por 1-0, continua a fazer correr muita tinta fora das quatro linhas. Desta vez, não é um lance de arbitragem nem uma decisão técnica que domina a conversa, mas sim uma tarja exibida pela claque Super Dragões, dirigida ao presidente do Benfica, Rui Costa, e que rapidamente se tornou um dos temas mais comentados nas redes sociais.
A mensagem, colocada nas bancadas do Estádio do Dragão, dizia:
«93 891 animais votaram no mesmo camelo! Guinness confirmou o zelo».
Uma frase provocatória, com tom irónico e ofensivo, que faz alusão direta às últimas eleições do clube da Luz e à vitória de Rui Costa, reeleito presidente do Benfica com uma expressiva maioria.
Enquanto dentro de campo o FC Porto garantia a passagem às meias-finais da Taça de Portugal, nas bancadas a rivalidade ganhava novos contornos com uma mensagem que muitos consideraram excessiva, mas que outros encararam como parte do folclore habitual dos clássicos do futebol português.
A tarja que roubou atenções ao jogo
O jogo já era, por si só, de alta tensão. Um clássico entre FC Porto e Benfica, a eliminar, com um lugar nas meias-finais em disputa, garante sempre emoções fortes. No entanto, a tarja dos Super Dragões acabou por se tornar um dos episódios mais falados da noite, quase ao nível do próprio resultado.
A escolha das palavras — “animais”, “camelo” e a referência ao Guinness — foi interpretada como uma provocação direta não apenas a Rui Costa, mas também aos sócios e adeptos do Benfica que participaram nas eleições e votaram no atual presidente.
A mensagem faz alusão ao número de votos obtidos por Rui Costa no último ato eleitoral, usando-o como elemento central de uma crítica mordaz, numa tentativa de ridicularizar a liderança encarnada e a escolha feita pelos benfiquistas.
Reações imediatas: entre a indignação e o “faz parte do futebol”
Assim que imagens da tarja começaram a circular nas redes sociais, as reações multiplicaram-se. Do lado dos adeptos do Benfica, muitos manifestaram indignação:
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“Isto já ultrapassa os limites da rivalidade.”
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“Ofender um clube inteiro e os seus sócios não é provocação, é falta de respeito.”
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“O futebol não precisa disto.”
Outros, porém, adotaram uma postura mais resignada, considerando o episódio como parte da tradição dos clássicos:
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“É provocação de bancada, sempre existiu.”
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“Enquanto ficar nas palavras e não passar para violência, é apenas rivalidade.”
Do lado portista, vários adeptos defenderam a tarja como um ato de criatividade e sátira, típico das claques, sublinhando que não houve qualquer incidente físico associado ao momento.
O contexto: eleições no Benfica e rivalidade histórica
Para compreender o impacto da mensagem, é importante recordar o contexto. Rui Costa foi reeleito presidente do Benfica com uma maioria esmagadora, consolidando a sua posição à frente do clube. A referência ao número de votos pretendeu transformar esse resultado num motivo de chacota, num jogo psicológico dirigido à liderança encarnada.
A rivalidade entre FC Porto e Benfica não se limita ao relvado. Estende-se às direções, aos adeptos e à própria identidade dos clubes. Ao longo das décadas, tarjas, cânticos e provocações têm sido uma constante nos grandes jogos, muitas vezes explorando momentos sensíveis do adversário: derrotas recentes, crises internas, eleições, transferências falhadas ou polémicas institucionais.
Neste caso, a escolha do alvo — Rui Costa e os sócios do Benfica — elevou a carga simbólica da provocação.
Entre o “folclore” e a linha do respeito
O episódio reacende uma discussão antiga no futebol português: onde termina a provocação e começa a falta de respeito?
Para alguns, as tarjas fazem parte do espetáculo, sendo uma expressão da paixão e da criatividade das claques. Para outros, mensagens com insultos diretos ou que atingem instituições e comunidades inteiras ultrapassam os limites do aceitável.
Embora não tenha havido incidentes de violência associados à tarja, o impacto mediático foi significativo, com o tema a dominar debates online e a ser comentado por figuras ligadas ao futebol.
Um clássico decidido no campo… e comentado fora dele
Dentro das quatro linhas, o FC Porto fez o que precisava: venceu por 1-0 e garantiu a qualificação para as meias-finais da Taça de Portugal, deixando o Benfica fora da prova. Um resultado desportivo importante, que deveria ser o principal foco da análise.
No entanto, como acontece tantas vezes em jogos desta dimensão, os episódios extra-campo acabaram por disputar protagonismo com o futebol jogado. A tarja dos Super Dragões tornou-se, para muitos, um símbolo da noite — para uns, de criatividade provocatória; para outros, de um clima de rivalidade que deveria ser mais contido.
O silêncio institucional
Até ao momento, nem o Benfica nem Rui Costa se pronunciaram oficialmente sobre a mensagem exibida no Dragão. Do lado portista, também não houve qualquer comentário institucional sobre a iniciativa da claque.
Este silêncio poderá ser interpretado como uma tentativa de não dar ainda mais destaque ao episódio, deixando-o confinado ao espaço das redes sociais e da opinião pública.
O impacto no clima entre os clubes
Apesar de episódios como este serem frequentes em clássicos, não deixam de contribuir para um ambiente de tensão entre adeptos e instituições. Num futebol cada vez mais atento à imagem pública, à responsabilidade social e à necessidade de atrair novos públicos, situações que envolvem linguagem ofensiva acabam por gerar debates sobre o papel das claques e os limites da liberdade de expressão nas bancadas.
Ao mesmo tempo, é inegável que a rivalidade entre FC Porto e Benfica é um dos motores da popularidade do futebol em Portugal, criando narrativas que vão muito além dos 90 minutos.
Conclusão: mais um capítulo de uma rivalidade sem fim
A tarja dos Super Dragões dirigida a Rui Costa tornou-se rapidamente um dos assuntos mais comentados após o clássico. Para uns, foi apenas mais um episódio de provocação típica entre rivais históricos. Para outros, representou um excesso que não dignifica o futebol português.
O que é certo é que, numa noite em que o FC Porto celebrou a qualificação e o Benfica saiu derrotado, a rivalidade não terminou com o apito final. Pelo contrário: prolongou-se nas bancadas, nas redes sociais e no debate público, mostrando, mais uma vez, que nos clássicos portugueses, o jogo raramente acaba quando os jogadores deixam o relvado.






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