Amigo de Mourinho aponta “imobilidade” do treinador do Benfica: “Não mexeu uma palha” e levanta dúvidas sobre o balneário ~ Grandes de Portugal

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Amigo de Mourinho aponta “imobilidade” do treinador do Benfica: “Não mexeu uma palha” e levanta dúvidas sobre o balneário


A derrota do Benfica frente ao Sporting de Braga, na meia-final da Taça da Liga, continua a provocar ondas de choque no universo encarnado. Para além das críticas internas, das reações dos adeptos e das análises dos comentadores televisivos, surge agora uma voz particularmente próxima de José Mourinho que não deixou passar em branco o que aconteceu em Leiria: Eládio Paramés, amigo pessoal do treinador e colaborador do jornal Record.

Num artigo de opinião que rapidamente ganhou destaque, Paramés concorda com a avaliação dura feita pelo próprio Mourinho no final da partida, mas vai mais longe ao levantar questões sobre a postura do técnico durante o jogo, apontando aquilo que classifica como uma “imobilidade” pouco habitual no Special One. Para alguém que conhece bem o perfil do treinador, o comportamento no banco deixou mais perguntas do que respostas.

“Esta é uma fase preocupante”

Paramés começa por validar o discurso do técnico encarnado, que não poupou palavras ao descrever a exibição da equipa: “Mourinho não disse algo que todos nós não tivéssemos visto: erros incríveis, impróprios até de equipas e jogadores amadores.” O autor sublinha que a primeira parte do Benfica foi marcada por falhas técnicas, decisões erradas e uma postura competitiva abaixo do exigido num clube com a dimensão das águias.

Contudo, o amigo do treinador deteve-se num detalhe que considera particularmente inquietante: o facto de Mourinho ter revelado que a conversa com os jogadores no balneário foi um “monólogo” e não um diálogo. Para Paramés, esta frase pode ser mais do que um simples desabafo a quente. “Esta é uma frase preocupante, pois pode indiciar a inexistência de diálogo/compromisso entre técnico e jogadores. Veremos se foi um momento esporádico ou se este mutismo se mantém”, escreveu.

A leitura é clara: para alguém que sempre valorizou a liderança forte e a comunicação direta, o cenário de um balneário silencioso levanta dúvidas sobre o nível de ligação entre treinador e plantel num momento delicado da temporada.

“Não mexeu uma palha”: a crítica à postura no banco

Mas é no comportamento de Mourinho durante o jogo que Paramés centra a crítica mais contundente. O autor confessa ter ficado surpreendido com a passividade do treinador durante os minutos mais difíceis da partida: “Foi constatar a impassibilidade do treinador no banco durante estes minutos miseráveis da sua equipa. Foi estranho constatar que, até ao intervalo, o treinador do Benfica não mexeu uma palha para alterar o rumo dos acontecimentos.”

Num Benfica que se afundava taticamente e emocionalmente, Paramés esperava ver um Mourinho mais interventivo, a corrigir posicionamentos, a alterar dinâmicas ou mesmo a preparar mudanças precoces. Em vez disso, o Special One manteve-se fiel ao plano inicial até ao intervalo, atitude que, para quem conhece o seu histórico, é tudo menos habitual.

O artigo levanta uma hipótese sensível: será que Mourinho não confia nas opções que tinha no banco? Paramés sugere que a escassez de alternativas pode ter pesado na decisão de não arriscar: “Mais parecia que aquilo de que dispunha no banco muito pouca ou nenhuma confiança lhe garantia.”

Falta de soluções ou falta de coragem?

A reflexão avança para uma questão estrutural do plantel. O autor recorda que o Benfica atravessa uma fase complicada em termos físicos, com várias ausências por lesão e um banco composto por jogadores com poucos minutos na equipa principal. Ainda assim, questiona se não existiria margem para lançar jovens ou alterar o rumo do jogo com uma abordagem mais ousada.

“Não haverá miúdos com um mínimo de qualidade para irem lá para dentro e pelo menos suarem a camisola?”, pergunta Paramés, sublinhando que Mourinho nunca foi um treinador acomodado. Pelo contrário, construiu a sua carreira com decisões arrojadas, mudanças inesperadas e leituras táticas capazes de virar jogos aparentemente perdidos.

Daí a estranheza perante aquilo que classifica como “imobilismo”: “Mourinho não é um treinador que se acomode perante as dificuldades. Pelo contrário, é capaz de arriscar e surpreender com decisões arrojadas e é este ‘imobilismo’ que não compreendo.”

Um sinal de alerta para o Benfica?

O artigo termina com uma pergunta que ecoa entre muitos adeptos encarnados: porquê? Porque não mexeu, porque não arriscou, porque não tentou mudar o curso de um jogo que estava claramente a fugir ao controlo? “Ontem, porventura bastar-lhe-ia mudar apenas um par deles. Mas não o fez. E Mourinho nunca foi assim! Porquê? É a pergunta que se impõe e à qual só ele pode responder.”

Esta análise surge num momento particularmente sensível para o Benfica. A eliminação da Taça da Liga, a primeira derrota em solo nacional na época e a aproximação de um clássico decisivo frente ao FC Porto na Taça de Portugal colocam pressão adicional sobre a equipa técnica. A margem para erros é cada vez menor e a exigência dos adeptos continua elevada.

Entre a confiança no treinador e a exigência de reação

Apesar da crítica, Paramés não põe em causa a competência de Mourinho nem o seu estatuto enquanto um dos treinadores mais titulados da história do futebol europeu. O tom do texto é mais de preocupação do que de ataque pessoal: trata-se de um alerta, vindo de alguém que conhece de perto o perfil do técnico e que estranhou uma postura tão distante do Mourinho combativo e interventivo que marcou épocas no Porto, Chelsea, Inter ou Real Madrid.

Para os adeptos do Benfica, o debate está lançado. Terá sido um episódio isolado, condicionado pelas limitações do plantel e pelo contexto físico da equipa? Ou será um sinal de desgaste, de falta de opções ou mesmo de dificuldades na relação com o grupo?

O próximo jogo será, inevitavelmente, um teste à capacidade de resposta. Porque, como lembra o próprio Paramés, Mourinho nunca foi um treinador de braços cruzados. E no Benfica, onde a exigência é máxima, a imobilidade raramente é uma opção.

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