Apesar da eliminação dolorosa frente ao Sp. Braga (1-3), na meia-final da Allianz Cup, houve um momento que permitiu aos adeptos do Benfica agarrar-se a um dado positivo numa noite marcada por erros, desorganização e frustração. Vangelis Pavlidis, mesmo num cenário adverso, alcançou uma marca de grande peso histórico: chegou ao seu 10.º golo de grande penalidade na temporada, um número redondo que o coloca num lote restrito de jogadores que deixaram a sua marca no clube da Luz.
Num jogo em que o Benfica nunca conseguiu apresentar a sua melhor versão, foi o avançado grego quem manteve viva, ainda que por instantes, a esperança de uma reviravolta. À passagem do minuto 64, Pavlidis assumiu novamente a responsabilidade máxima e não tremeu. Frente a um Estádio Dr. Magalhães Pessoa em silêncio tenso, o camisola 14 bateu o guarda-redes bracarense com frieza e precisão, reduzindo o marcador e reacendendo a chama encarnada.
Um número que o coloca entre os grandes
Com esse golo, Pavlidis chegou à marca de 10 grandes penalidades convertidas numa única época, um feito que apenas alguns nomes de peso conseguiram alcançar ao serviço do Benfica. De acordo com dados estatísticos, o internacional grego passou a integrar uma lista onde figuram verdadeiras referências do clube, como Ángel Di María e o histórico goleador paraguaio Óscar “Tacuara” Cardozo.
Mais do que um simples número, este registo sublinha uma característica fundamental de Pavlidis: a fiabilidade nos momentos de maior pressão. Num clube onde cada detalhe é analisado ao pormenor e onde os jogos decisivos se sucedem, assumir repetidamente a responsabilidade da marca dos 11 metros exige personalidade, confiança e sangue-frio. E foi precisamente isso que o avançado demonstrou ao longo da época.
Segundo o portal Playmaker, Pavlidis ocupa atualmente o quinto lugar no ranking de jogadores do Benfica com mais golos de penálti numa só temporada. À sua frente surgem nomes como Di María, Tacuara Cardozo e João Mário, atualmente ao serviço do AEK. No topo da lista permanece uma lenda intocável: Eusébio, que na temporada de 1966/67 converteu 14 grandes penalidades.
Estar associado a esta elite não é um detalhe menor. Para um jogador que chegou recentemente ao futebol português e que ainda se encontra em processo de afirmação no clube, este feito representa uma clara demonstração de impacto imediato.
Um golo que não chegou, mas que ficou na história
É verdade que o golo de Pavlidis acabou por não ser suficiente para evitar a eliminação do Benfica da Taça da Liga. A equipa orientada por José Mourinho já se encontrava em desvantagem e, apesar da melhoria exibicional na segunda parte, os erros defensivos e a falta de eficácia em momentos-chave acabaram por ditar o desfecho.
Ainda assim, o tento do internacional grego não passou despercebido. Para muitos adeptos, foi um dos poucos momentos de lucidez e eficácia numa noite descrita por vários comentadores como uma das mais negativas da temporada em competições nacionais.
O próprio Pavlidis, no final do encontro, não escondeu a frustração: reconheceu que a equipa ficou aquém do esperado, pediu desculpa aos adeptos e assumiu que o Benfica não esteve ao nível necessário para garantir a presença na final. Um discurso que reforça a imagem de um jogador consciente da responsabilidade que carrega ao vestir o Manto Sagrado.
Um avançado em crescimento na Luz
Para além do feito nas grandes penalidades, os números globais de Pavlidis nesta época mostram um rendimento sólido. Até ao momento, o avançado soma 20 golos e duas assistências em 32 jogos oficiais ao serviço do Benfica. Distribuídos pelas várias competições, os seus registos confirmam que tem sido uma das principais referências ofensivas da equipa:
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17 jogos na Liga Portugal Betclic
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10 jogos na Liga dos Campeões
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2 jogos na Taça de Portugal
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2 jogos na Taça da Liga
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1 jogo na Supertaça
Em 2.279 minutos disputados, o camisola 14 tem mantido uma média de participação direta em golos que o coloca entre os jogadores mais influentes do plantel. Avaliado em cerca de 35 milhões de euros, Pavlidis tem correspondido às expectativas em termos de produtividade, mesmo num contexto de instabilidade em alguns jogos decisivos.
Um símbolo de frieza num momento de pressão
O dado que mais impressiona os adeptos e a estrutura técnica prende-se com a capacidade do grego em lidar com a pressão. Marcar 10 grandes penalidades numa temporada não é apenas uma questão de técnica; é sobretudo uma prova de mentalidade. Num clube como o Benfica, onde cada falha é amplificada, assumir repetidamente a cobrança dos castigos máximos revela liderança e personalidade.
Numa noite em que muitos jogadores ficaram associados a erros, Pavlidis destacou-se precisamente pelo contrário: fez o que lhe competia quando a bola estava nos seus pés e manteve o Benfica vivo durante alguns minutos.
O futuro passa pela reação
Com a Taça da Liga fora de alcance, o foco do Benfica vira-se agora para as restantes competições, em especial para o clássico frente ao FC Porto, a contar para os quartos de final da Taça de Portugal. Num momento de pressão máxima, a equipa de José Mourinho precisa de líderes dentro de campo — e Pavlidis surge como um dos rostos dessa responsabilidade.
O golo frente ao Braga pode não ter evitado a eliminação, mas entrou diretamente para os registos históricos do clube. Num cenário de “noite de horrores”, como muitos já apelidaram a partida em Leiria, o avançado grego conseguiu transformar um momento isolado num feito que o coloca ao lado de nomes lendários do Benfica.
Para os adeptos, a mensagem é clara: mesmo nos dias maus, há sinais de que o futuro pode ser construído com base em jogadores que não fogem à responsabilidade. E Vangelis Pavlidis, com o seu 10.º golo de penálti na temporada, provou que tem tudo para ser um deles. 🔴⚽






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