A derrota do Benfica frente ao Sp. Braga (1-3), na meia-final da Allianz Cup, continua a provocar fortes reações no universo encarnado. Para lá da eliminação da prova e do adeus ao sonho de conquistar o troféu, o jogo em Leiria deixou marcas profundas entre adeptos e figuras históricas do clube. No centro da contestação está Richard Ríos, médio colombiano que acabou por se tornar um dos principais visados após uma exibição considerada abaixo do exigido por um emblema da dimensão do Benfica.
A noite foi marcada por erros individuais, desorganização coletiva e uma primeira parte que muitos já classificam como uma das piores da época. O resultado foi apenas a consequência de um desempenho que deixou exposta uma equipa irreconhecível, longe da imagem de domínio interno que vinha construindo sob o comando de José Mourinho.
“Ríos corre só de vez em quando”: críticas duras de Braz Frade
Entre as vozes mais críticas surge a de Braz Frade, antigo dirigente do Benfica, que não poupou palavras na análise ao encontro. O ex-responsável encarnado apontou falhas graves a vários jogadores, mas destacou de forma particular Richard Ríos, cuja atitude em campo considerou insuficiente para um jogo desta exigência.
“Exibição miserável, alguns erros em que se insiste, como Sudakov a extremo-esquerdo. Rende zero. Tomás Araújo desposicionado. Ríos corre só de vez em quando. Assim é difícil. O Benfica parecia equipa amadora.”
As declarações refletem um sentimento de frustração crescente entre adeptos e antigos responsáveis do clube. Para Braz Frade, a forma como Ríos se apresentou em campo simbolizou a falta de intensidade e compromisso que marcou a primeira parte da equipa. Num encontro a eliminar, onde cada duelo e cada metro contam, a ideia de que um médio “corre só de vez em quando” torna-se particularmente pesada.
Álvaro Magalhães alerta para um problema recorrente
Também Álvaro Magalhães, antigo internacional português e uma das glórias do Benfica, se juntou ao coro de críticas. Para o ex-jogador, o problema vai além de uma exibição individual e reflete uma tendência preocupante: a incapacidade da equipa em entrar forte nos jogos.
“O Benfica fez uma primeira parte irreconhecível, melhorou muito na segunda. Tem sido um Benfica de duas caras. Dá 45 minutos ao adversário.”
A observação de Álvaro Magalhães toca num ponto sensível da temporada. Não é a primeira vez que os encarnados entram apáticos nos jogos e só reagem após o intervalo. Frente ao Braga, esse padrão voltou a repetir-se e acabou por ser fatal. Quando o Benfica tentou assumir o controlo, já estava em desvantagem e a correr atrás do prejuízo.
Camilo Lourenço fala em “erros infantis” e má leitura estratégica
O analista financeiro Camilo Lourenço também reagiu ao desaire e foi igualmente contundente. Na sua leitura, a derrota resulta de uma conjugação de erros básicos e de uma má preparação estratégica para o jogo.
“Meia parte de avanço ao Braga, como na Pedreira. Erros infantis no meio-campo e defesa. Noite para esquecer de Tomás Araújo, Sudakov e Dahl e uma equipa mal escalonada.”
Embora não tenha destacado apenas Richard Ríos, Camilo Lourenço reforça a ideia de que o setor intermédio falhou nos momentos decisivos, permitindo ao Braga controlar o ritmo e explorar as fragilidades encarnadas. Para muitos adeptos, o médio colombiano acabou por simbolizar essas dificuldades: pouco impacto defensivo, pouca presença nos duelos e incapacidade de impor intensidade.
Uma noite que expôs fragilidades
O que mais inquieta o universo benfiquista não é apenas a eliminação da Taça da Liga, mas a forma como ela aconteceu. O Benfica consentiu três golos num jogo nacional pela segunda vez em toda a temporada, algo raro numa equipa orientada por José Mourinho, conhecido pelo rigor defensivo.
A primeira parte foi, de acordo com várias análises, “um desastre técnico e mental”. Falhas na saída de bola, posicionamentos errados e uma abordagem demasiado passiva criaram um cenário ideal para o Braga impor o seu jogo. Richard Ríos, chamado a dar equilíbrio e intensidade ao meio-campo, acabou por ficar associado a essa falta de controlo, tornando-se alvo privilegiado das críticas.
O peso da camisola e a exigência no Benfica
No Benfica, o erro raramente passa despercebido, e a exigência é proporcional à dimensão do clube. Um jogador contratado para assumir protagonismo no meio-campo não pode permitir-se exibições apagadas em jogos decisivos. É esse o ponto que muitos adeptos sublinham nas redes sociais: não se trata de um mau jogo isolado, mas da sensação de que, em momentos-chave, faltou entrega total.
A crítica de Braz Frade — “Ríos corre só de vez em quando” — ecoou de forma particular junto da massa associativa, que exige intensidade máxima em todas as competições. Para os adeptos, perder faz parte do futebol; perder sem dar tudo é que se torna inaceitável.
Clássico no Dragão aumenta a pressão
O cenário torna-se ainda mais delicado para as águias tendo em conta o próximo compromisso: a deslocação ao Estádio do Dragão, frente ao FC Porto, nos quartos de final da Taça de Portugal, marcada para o dia 14, às 20h45. Para agravar a situação, Nicolás Otamendi foi expulso frente ao Braga e está fora do clássico, obrigando José Mourinho a mexer na estrutura defensiva.
Com a Taça da Liga já perdida, o Benfica entra nesse jogo com um único objetivo: reagir, vencer e mostrar que o desaire em Leiria foi apenas um acidente de percurso. Para Richard Ríos, em particular, o clássico pode representar uma oportunidade de resposta. Uma exibição forte no Dragão poderá silenciar críticas e demonstrar que tem capacidade para assumir o peso da camisola encarnada nos momentos de maior pressão.
Uma resposta que se exige imediata
As palavras duras de figuras como Braz Frade, Álvaro Magalhães e Camilo Lourenço deixam claro que a paciência no universo benfiquista é curta quando a equipa falha em jogos decisivos. Richard Ríos foi apontado como um dos símbolos de uma noite negativa, mas a mensagem é coletiva: no Benfica, cada jogo é uma prova de caráter.
O clássico frente ao FC Porto surge, assim, como um verdadeiro teste à mentalidade da equipa. Ou o Benfica reage e mostra que continua forte na luta pelos troféus, ou a derrota frente ao Braga poderá marcar o início de um período de maior instabilidade. Para os adeptos, a exigência é clara: mais intensidade, menos erros e, sobretudo, a atitude de quem sabe que, no Benfica, não há espaço para “correr só de vez em quando”.






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