Quando tudo parecia perdido, o campeonato voltou a mexer. A inesperada queda do FC Porto frente ao Casa Pia trouxe nova vida à luta pelo título e reacendeu uma chama que muitos já davam como apagada na Luz. A diferença pontual encurtou e, apesar de continuar significativa, o cenário deixou de ser matematicamente desesperante para o Benfica.
Depois do empate em Tondela, o discurso era de desalento. O fosso podia ter aumentado para números praticamente inultrapassáveis, aproximando-se dos 12 pontos. Mas o futebol raramente segue o guião previsível. O primeiro desaire caseiro da equipa de Francesco Farioli mudou ligeiramente o panorama e devolveu alguma esperança aos encarnados.
Ainda assim, a pergunta impõe-se: é mesmo possível o Benfica conquistar o 39.º campeonato?
A diferença pontual e o calendário
Neste momento, o Benfica encontra-se a nove pontos da liderança. Uma distância considerável, sobretudo tendo em conta a consistência demonstrada pelo líder ao longo da temporada. Para as águias chegarem ao topo, não basta apenas vencer os seus jogos — é preciso que o adversário direto escorregue mais do que uma vez.
E aqui começam as contas.
Com várias jornadas ainda por disputar, o Benfica teria de somar praticamente um percurso perfeito até ao final do campeonato. Fala-se de uma sequência longa de vitórias consecutivas, algo que, curiosamente, ainda não aconteceu esta época. A equipa de José Mourinho soma 35 jogos sem perder na Liga, mas nunca conseguiu mais de três triunfos seguidos.
Essa irregularidade no momento de fechar ciclos de vitórias tem sido um dos principais entraves na perseguição ao primeiro lugar.
Mourinho acredita… mas os números não ajudam
José Mourinho já deixou claro que não atira a toalha ao chão. O treinador mantém o discurso de ambição e lembra que enquanto houver pontos em disputa, há esperança. Contudo, a história recente do campeonato português não é particularmente favorável a reviravoltas desta dimensão.
Os maiores volte-faces das últimas épocas aconteceram em 2018/19, quando o Benfica recuperou sete pontos, e em 2019/20, com o FC Porto a fazer o mesmo. Em ambos os casos, a desvantagem era inferior à que os encarnados enfrentam agora.
Ou seja: não é impossível… mas é claramente mais complicado.
O fator psicológico pode pesar
Há, no entanto, um elemento que pode mudar o rumo da história: a pressão.
O primeiro classificado perdeu recentemente pela primeira vez em casa, algo que pode introduzir dúvidas numa equipa que vinha a mostrar segurança absoluta. Se surgir um segundo deslize nas próximas jornadas, o nervosismo pode instalar-se e transformar uma liderança confortável num cenário de ansiedade.
O Benfica precisa exatamente disso: colocar pressão real.
Para isso, tem de fazer a sua parte — vencer, convencer e aproximar-se. Quanto menor for a diferença, maior será o peso emocional do lado de quem lidera.
Confrontos diretos podem decidir tudo
Outro ponto decisivo prende-se com os jogos entre candidatos. Caso ainda exista confronto direto por disputar, esse encontro pode valer muito mais do que três pontos. Uma vitória encarnada reduziria automaticamente a diferença e teria um impacto psicológico tremendo.
Além disso, o calendário europeu pode também influenciar. Se os rivais estiverem envolvidos em competições internacionais exigentes, o desgaste físico e mental poderá abrir portas a surpresas inesperadas.
Regularidade defensiva é arma secreta
Apesar da distância pontual, há um dado que alimenta esperança na Luz: o Benfica é uma das equipas mais sólidas defensivamente da Liga. A consistência atrás permite manter jogos controlados e minimizar riscos.
Se conseguir juntar essa estabilidade a maior eficácia ofensiva — algo que tem faltado em alguns empates — o cenário pode ganhar outra dimensão.
Realismo ou sonho?
Internamente, o discurso é de foco jogo a jogo. Publicamente, fala-se em responsabilidade e ambição. Nos bastidores, sabe-se que será necessária uma combinação rara de fatores: série longa de vitórias, deslizes inesperados do líder e talvez um momento-chave que mude a narrativa do campeonato.
Os nove pontos não são uma sentença definitiva, mas exigem perfeição quase absoluta.
E no futebol, perfeição raramente é garantida.
A luz ainda está acesa
Se há algo que o campeonato português já provou, é que as contas só se fecham no fim. A matemática ainda permite sonhar. A margem reduziu de dez para nove pontos — pequena diferença numérica, mas simbolicamente relevante.
O Benfica continua vivo.
Para chegar ao 39.º título, precisará de consistência inédita esta época, frieza nos momentos decisivos e alguma ajuda externa. É improvável? Sim. É impossível? Não.
E enquanto não for impossível, José Mourinho e os seus jogadores continuarão a acreditar.
A corrida está longe de terminada. E no futebol, basta um deslize… para tudo mudar.






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