O Sporting garantiu a passagem na Taça de Portugal, mas não sem sofrimento. A vitória por 3-2 frente ao AVS SAD, apenas decidida no prolongamento, deixou marcas físicas e emocionais na equipa leonina, algo que Rui Borges não escondeu na análise ao encontro. O treinador assumiu que a exibição ficou aquém do esperado, mas fez questão de sublinhar que o mais importante foi alcançado: seguir em frente na prova rainha.
Em declarações após o apito final, o técnico verde e branco mostrou-se frontal, reconhecendo dificuldades, erros e momentos de ansiedade, mas também valorizando a capacidade da equipa em reagir num jogo que se tornou bem mais complicado do que o previsto.
“Não fizemos um grande jogo, mas competimos até ao fim”
Rui Borges começou por contextualizar o encontro, explicando que o Sporting nunca conseguiu ter o controlo total do jogo, muito por mérito do adversário. O AVS apresentou-se organizado, paciente e apostado no contra-ataque, criando dificuldades constantes à construção leonina.
“Sabíamos que íamos apanhar uma equipa muito organizada, que joga bem no momento de transição. Tivemos dificuldades em encontrar espaços e, depois de chegarmos ao 2-0, baixámos um pouco o nível”, admitiu.
O treinador reconheceu que o Sporting permitiu que o adversário acreditasse no resultado, algo que acabou por se refletir no marcador com o empate a duas bolas, num período em que os leões perderam controlo emocional e rigor tático.
Vantagem desperdiçada e empate “algo fortuito”
A vantagem confortável de 2-0 parecia encaminhar a eliminatória, mas Rui Borges confessou que a equipa relaxou em demasia, permitindo ao AVS crescer no jogo.
Segundo o técnico, o empate surgiu de forma algo inesperada, mas não deixou de apontar responsabilidades ao próprio Sporting:
“Há momentos no futebol que não conseguimos controlar. O empate surge de forma algo fortuita, mas nós também deixámos de ser tão intensos e isso paga-se.”
Ainda assim, Rui Borges fez questão de reforçar que este tipo de jogos faz parte do percurso de qualquer equipa grande, sobretudo numa competição a eliminar como a Taça de Portugal.
Prolongamento marcado pela ansiedade
Com o empate no tempo regulamentar, o jogo seguiu para prolongamento, onde o desgaste físico e mental se tornou evidente. Rui Borges foi claro ao assumir que a ansiedade tomou conta da equipa, algo visível no elevado número de passes falhados e decisões precipitadas.
“No prolongamento houve muita ansiedade. Queríamos resolver rápido, mas isso levou a erros técnicos. Faz parte, sobretudo em jogos deste género.”
Apesar disso, o Sporting acabou por encontrar o golo decisivo, garantindo o apuramento e evitando um desfecho que teria sido muito mais penalizador a nível emocional.
Clássico com o FC Porto não foi distração
Questionado sobre se os jogadores já estariam a pensar no Clássico frente ao FC Porto, Rui Borges afastou por completo essa ideia. Para o treinador, as dificuldades do Sporting explicam-se mais pelas circunstâncias do jogo e pelas alterações feitas do que por qualquer distração relacionada com o próximo compromisso.
“Não acredito que os jogadores estivessem a pensar no Porto. Houve mudanças, adaptações e ansiedade. Isso explica mais do que qualquer outro fator.”
O técnico destacou ainda os processos de readaptação de Nuno e Faye, sublinhando que nem todos os jogadores estão ainda no mesmo patamar físico e competitivo, o que também condicionou o rendimento coletivo.
Luís Guilherme merece elogios especiais
Entre as notas positivas, Rui Borges destacou Luís Guilherme, jovem jogador que voltou a mostrar versatilidade e personalidade. O treinador elogiou a capacidade do atleta para atuar em ambos os corredores e a evolução que tem demonstrado desde que chegou a Alvalade.
“É um jogador muito versátil, pode jogar à direita ou à esquerda. Está a adaptar-se bem ao futebol português e acredito muito no potencial dele.”
As palavras do treinador reforçam a ideia de que Luís Guilherme é visto como uma aposta séria para o presente e futuro do Sporting.
Cansaço existe, mas não serve de desculpa
O prolongamento deixou marcas físicas evidentes, especialmente numa fase da época com calendário exigente. Ainda assim, Rui Borges recusou usar o desgaste como desculpa para o que aí vem, nomeadamente o jogo frente ao FC Porto.
“O cansaço é natural, mas não pode ser desculpa. Vamos recuperar, preparar bem o jogo e dar uma boa resposta.”
O treinador garantiu que o grupo está consciente da importância do Clássico, embora tenha sublinhado que não se trata de um jogo decisivo, preferindo manter o foco no trabalho diário e na consistência ao longo da temporada.
Sporting segue em frente… mesmo sem brilhar
A vitória frente ao AVS não entra para a história pelas exibições, mas Rui Borges deixou claro que há jogos que se ganham com sofrimento, carácter e capacidade de resistência.
O Sporting segue em frente na Taça de Portugal, aprende com os erros e vira agora atenções para um Clássico que promete emoções fortes. Para Rui Borges, a mensagem é simples: ganhar nem sempre é bonito, mas é sempre essencial.






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