A derrota do Benfica frente ao Sp. Braga (1-3), na meia-final da Allianz Cup, não significou apenas a eliminação da prova e o adeus ao sonho de erguer o troféu pela nona vez. O desaire em Leiria representou também uma marca negativa para José Mourinho, ao ditar a primeira derrota da temporada em competições nacionais e colocar em causa a imagem de solidez que a equipa vinha exibindo desde o início da época.
Até ao apito final desse encontro, o Benfica apresentava um percurso imaculado em solo português, somando vitórias nas três frentes internas: Campeonato, Taça de Portugal e Taça da Liga. A equipa encarnada orgulhava-se de uma invencibilidade que sustentava a confiança dos adeptos e da estrutura técnica. No entanto, frente ao Braga, esse estatuto caiu de forma abrupta, deixando no ar sinais de alarme quanto ao momento competitivo do grupo.
Benfica – Braga ditou o fim da invencibilidade interna
A eliminação frente aos arsenalistas teve um impacto simbólico e prático. Por um lado, impediu as águias de revalidarem o estatuto de Campeão de Inverno na Taça da Liga; por outro, quebrou uma série de resultados positivos que vinha sendo apresentada como prova da consistência do projeto liderado por José Mourinho.
Mas se o resultado já era suficientemente negativo, a forma como aconteceu deixou ainda mais preocupações. O Benfica consentiu três golos num único jogo, algo raro nesta época. Foi apenas a segunda vez em toda a campanha 2025/26 que os encarnados sofreram três golos numa partida. O único precedente tinha ocorrido em outubro, na Liga dos Campeões, na deslocação a Newcastle, onde perderam por 3-0. Em competições nacionais, nunca tal tinha acontecido até ao duelo com o Braga.
Este dado estatístico evidencia uma quebra defensiva inesperada, sobretudo numa equipa que se tinha destacado pela organização e equilíbrio tático. Para um treinador como José Mourinho, conhecido pela exigência e pelo rigor nos processos defensivos, sofrer três golos numa meia-final de uma prova interna foi um duro golpe.
Mourinho arrasou a equipa: “Erros absolutamente incríveis”
No final do encontro, o técnico não tentou esconder a frustração e foi particularmente duro na análise ao desempenho da equipa, sobretudo nos primeiros 45 minutos. As palavras de Mourinho soaram como um verdadeiro aviso ao balneário.
“Do ponto de vista técnico, um desastre. Jogadores a cometer erros absolutamente incríveis. Quem faz uma primeira parte tão má não merece vencer. Não foi o Braga que ganhou, fomos nós que perdemos.”
A crítica não deixou margem para dúvidas: na perspetiva do treinador, o Benfica foi o principal responsável pela eliminação. A falta de concentração, os erros na saída de bola e a incapacidade de controlar os momentos-chave do jogo acabaram por ser determinantes no desfecho da partida.
Mourinho foi ainda mais longe ao classificar essa primeira parte como a pior exibição da equipa em toda a temporada. Um rótulo pesado, sobretudo quando aplicado a um grupo que vinha sendo elogiado pela consistência exibida nas competições internas.
Um sinal de alerta numa fase decisiva da época
A derrota frente ao Braga surge num momento particularmente sensível da época. Com a Taça da Liga fora de alcance, o Benfica vê-se agora obrigado a redobrar o foco nas restantes competições, nomeadamente no campeonato e na Taça de Portugal. O calendário não dá margem para recuperação emocional prolongada: já na próxima quarta-feira, 14 de janeiro, os encarnados deslocam-se ao Dragão para defrontar o FC Porto, em jogo a contar para os quartos de final da prova rainha.
Esse clássico assume agora uma importância ainda maior. Uma nova eliminação poderia aprofundar a crise de confiança e colocar pressão adicional sobre a equipa técnica e os jogadores. Por outro lado, uma vitória em casa do rival poderia funcionar como resposta imediata ao desaire frente ao Braga e como catalisador de uma recuperação anímica.
A realidade, porém, é que o Benfica chega a esse encontro com vários condicionamentos, tanto físicos como emocionais. A exigência de Mourinho, somada à frustração pela quebra da invencibilidade, cria um ambiente de elevada tensão interna, que tanto pode gerar uma reação forte como provocar mais instabilidade.
O peso simbólico da primeira derrota nacional
Para além das implicações imediatas na Taça da Liga, esta derrota marca um ponto de viragem no discurso em torno da época encarnada. Até aqui, o Benfica apresentava-se como uma equipa praticamente irrepreensível em território nacional, sustentando uma narrativa de domínio interno. Com o desaire frente ao Braga, essa imagem fica manchada, abrindo espaço para críticas, análises mais exigentes e uma maior pressão mediática.
Para José Mourinho, o momento é particularmente delicado. Acostumado a gerir plantéis sob enorme escrutínio, o treinador sabe que os resultados são o principal escudo. A primeira derrota interna da temporada não é apenas um dado estatístico: é um sinal de que o grupo precisa de respostas imediatas.
Foco total no clássico com o FC Porto
Com o sonho da Taça da Liga encerrado, o Benfica vira agora todas as atenções para o clássico frente ao FC Porto. O encontro dos quartos de final da Taça de Portugal representa uma oportunidade de redenção e, ao mesmo tempo, um teste de caráter para uma equipa ferida no orgulho.
Os encarnados entram em campo com um único objetivo: vencer e provar que a queda frente ao Braga foi apenas um acidente de percurso. Para Mourinho, será o momento de exigir uma reação clara, tanto ao nível da atitude como da qualidade de jogo.
A derrota em Leiria pode ter marcado negativamente a época, mas também pode servir como ponto de viragem. A resposta frente ao Porto dirá se o Benfica tem capacidade para transformar o choque numa força ou se, pelo contrário, a primeira fissura na armadura encarnada poderá abrir caminho a um período mais turbulento.






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